Paragem cerebral
O futebol português é como a pesca da sardinha. Há um período de defeso, quando a malta vai de férias no Verão, mas depois há defesos extraordinários, para mamar filhoses e ir aos saldos, no período natalício que engloba Dezembro e Janeiro.Isto resulta de uma fantástica medida, apadrinhada pelo fabuloso Gilberto Madaíl e de forma não oficial pelo novo leitãozinho presidente da Liga, que é a redução do número de clubes na Superliga, ou Primeira Liga, enfim, a primeira divisão, que era assim que se dizia nas colecções de cromos.
Ora vamos por partes.
Em primeiro lugar, gostava que alguém me provasse que esta redução aumenta a "competitividade" do nosso campeonato. Por que carga de água isto é mais animado com 16 equipas do que com 18? Será que o colosso Beira-Mar é melhor do que o irritante Guimarães? Por que razão andámos então a construir estádios de milhões para clubes regionais e menos que isso, para depois reduzirmos as suas hipóteses de jogarem no escalão principal?
Depois, em termos económicos, que sentido faz isto? Menos dois jogos por ano, menos duas equipas que têm hipótese de, pelo menos três vezes por ano, fazerem uma receita que lhes encha os cofres e ajude a pagar os salários. Mais regiões do país que não beneficiam do dinheiro trazido pela bola, nomeadamente o comércio local (excepto quando é visita do Porto, porque os Super Dragões gamam e não pagam nada). Mais tempo de paragem, em que os fanáticos como eu percebem que é possível viver sem futebol.
Nada disto tem grande lógica.
A minha teoria é simples.
Os Madailes e Loureiros (hum....será coincidência?) perceberam que isto estava uma merda, o povo andava a chatear com apitos dourados e azulados, então "bora lá fazer uma cena qualquer, de preferência sem qualquer utilidade, para fingir que estamos empenhados em mudar o estado das coisas, carago!".
E prontes. Deu a merda que se vê.
O Xôr Loureiro III (depois de valentim e do gajo dos Ban), que sabia de tudo e até aplaudia, faz agora cara de preocupado com a paragem prolongada do campeonato, e até já tem uma medida, vejam lá a eficiência do tipo!!!
Quer criar a Taça da Liga, uma merda que não tem qualquer tradição no nosso país, não servindo para nada senão de remendo de calendário depois da merda feita.
Provavelmente agora vai apressar-se a avançar com a ideia, agora que o FCP foi corrido da Taça a sério.
PS - hihihihiahaiahiahiahiiehehahiaiaiaiaiahaihaiha.......com o Atlético...........ihihiiahahahehehehoehaoaoohhoiiiiihahahiaih...e no Dragôun......Ganda Jesualdo. Eu sabia que podia contar contigo.
Goodfellas
Gilberto Madaíl concorre sozinho nas próximas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol tendo em vista os próximos três anos de mandato.As coisas são estranhas, ou talvez não. Em primeiro lugar, quando só há uma lista a concurso, seja qual for a eleição, normalmente é sinal de que tudo vai bem, tão bem que ninguém mais acredita que pode conseguir fazer melhor. E o futebol português é o perfeito exemplo disto, não é?...Depois há a alguns pormenores com a sua lista. Desta constam dois arguidos no processo do Apito Dourado. Felizmente que estão na lista em lugares de pouca importância e sensibilidade, como candidatos a Presidente e Vice-presidente do Conselho de Arbitragem.Provavelmente é coincidência.Mas ainda há outras coisas giras. Como vice-presidente da direcção da FPF temos Hermínio Loureiro, presidente da Liga e sportinguista de ar rústico e simpático que, julgam outros ingénuos, quer limpar o futebol português. No entanto, as associações perigosas de Hermínio Loureiro, esse Baltazar Garzon do futebol português, não ficam por aqui. Não é verdade que o senhor colocou na sua lista, "vendida" como a grande varridela de que o desporto nacional precisa, o major Valentim Loureiro como presidente da mesa da assembleia geral?Eu em relação ao Pai Natal ainda tenho algumas dúvidas, mas em relação a esta maltosa.....
Iniciação a uma vida banal
Escrevo na ressaca do “heróico” empate arrancado pelo Benfica na Dinamarca. Ressaca talvez não seja a palavra mais indicada. Ressaca sugere festa, excesso, atrevimento anterior, e o jogo desta noite foi tudo menos isso.
Custa-me escrever isto mas o Benfica é, actualmente, uma equipa banal. Banalíssima. Um Belenenses a nível europeu. Uma amiba.
Não jogámos a ponta de um corno. Os loirinhos tentaram mas não sabiam mais, mostraram bem que não sabem jogar à bola. O Benfas nem tentou. O nosso único momento de brilhantismo foi protagonizado por um jogador com nome de aspirante a mecânico, um tal de Paulo Jorge, Pájó para os amigos.
É triste, meus amigos.
O Glorioso acabou o jogo a passar para o lado, a assobiar para o lado, a andar de lado. A fingir que não estava num campo de futebol, mas numa divagação filosófica sobre o nada e o seu significado. À imagem do seu treinador.
Fernando Santos, o engenheiro, disse que essa postura da equipa, de jogar para o lado e para o empate, tinha sido um erro.
Mas foi este engenhocas, que tem a mesma capacidade motivacional de um caracol, que defendeu, antes da partida, que “um empate não seria um mau resultado”.
Xôr engenheiro, faça-me o grande favor de ir à merda. O Benfica é o maior clube português, foi duas vezes campeão europeu, esteve presente em sete finais. O Copenhaga é uma equipa de curling. Um empate não é mau, é terrível. Mais terrível só a falta de confiança e ambição deste engenheiro sem obra.
Sei que o Glorioso não é uma grande equipa. Sei que é de longe o mais fraco dos três grandes, neste momento. Mas também sei que o Benfica não se pode esconder, não pode fugir, não pode armar-se em tímido.
Podemos cair, mas já agora que o façamos como homens. Não como burocratazinhos que só sabem ajeitar a gravata.
Não transforme o Benfica no seu Estoril, xôr engenheiro.
Dedique-se a fazer pontes e estradas, porque de futebol vosselência não entende nada.
Boavista 3 - Glorioso nicles
Ah pois é.
Há jogos em que levamos na pá, e depois há jogos, como este, em que levamos mesmo no cu.
Falta de fio de jogo, falta de garra, falta de crença, falta de humildade, falta de qualidade.
E um treinador que não lembra ao menino Jesus (e ele lembra-se de coisas que mais ninguém se lembra).
Não vou falar aqui da falta de qualidade, sobretudo de capacidade de motivar jogadores, do nosso treinador. Isso já ficou mais que demonstrado, e não vos quero fazer perder tempo.
Perdemos porque, até ao 1-0, fomos muitíssimo piores do que o adversário, e porque depois da primeira expulsão o jogo acabou.
E é disto, do que se passou a partir desse momento, que quero falar.
E, meus amigos, fomos roubados.
Atenção, faço já o disclaimer, perdemos e perdemos bem.
Mas fomos roubados indecentemente.
1- Jogar contra o Boavista e sermos nós a termos 3 jogadores na rua seria para rir, mas não tem piada nenhuma.
2- O segundo amarelo ao Nuno Gomes é absurdo. Caso o quisesse expulsar, teria de ter feito o mesmo ao Ricardo Silva, numa falta minutos antes sobre o próprio Nuno Gomes. Mas parece que o nível de exigência só funciona para um lado.
3- A expulsão do Manu é inacreditável. Simplesmente porque é um vermelho numa situação em que o jogador nem toca no adversário, apesar de este ter dado um triplo mortal encarpado de fazer inveja ao Liedson. Já ouvi muita gente defender que, mesmo assim, ele mereceu a expulsão, por causa da entrada. Isto, obviamente, não faz qualquer sentido. E, já agora, um amarelozito ao actor que se atirou para o chão como se tivesse levado um tiro também não ficava nada mal.
4- A expulsão do Petit é justa, pela sua atitude, mas surge apenas pelo erro mais que grosseiro cometido na expulsão do Manu.
Em suma, 3 jogadores na rua, os 3 por erros do árbitro. Coincidência? Acredite quem quiser.
O que eu sei é que não era preciso isso para fazer o Benfica perder o jogo. O Fernando Santos estava a encarregar-se bem dessa tarefa.
Na decisão sobre os castigos a aplicar, Petit foi o mau da fita. As justificações para os castigos (2 jogos ao Nuno Gomes?! 3 jogos ao Petit?! Mas ele matou alguém?! Mas ele deu alguma cabeçada a alguém, como um senhor chamado Bruno Alvez que, no ano passado, levou o mesmo castigo?!) são fabulosas. Pode ler-se que estas regras se aplicam a “jogadores que utilizem expressões ou façam gestos ameaçadores ou reveladores de indignidade contra a equipa de arbitragem" e devem-se a “injúrias e ofensa à reputação contra equipa de arbitragem”.
Indignidade? Reputação?
De quem, daquele palhaço que demonstrou ser uma de duas coisas, ou corrupto ou incrivelmente incompetente?! Esse cabrão é digno? Merece alguma reputação favorável?!
E, já agora, quanto à expulsão do Petit, que agora parece ser a nova encarnação do Anti-Cristo. Não culpo o jogador. Um gajo que vê o seu capitão de equipa e outro colega serem expulsos injustamente, num jogo em que o Boavista deu o seu costumeiro nível de porrada, não pode ficar indiferente.
Gosto do Petit por causa disso. Pode lixar-se e acabar por lixar a equipa, mas não consegue calar o sentimento de injustiça que aquele roubo lhe provocou. Quando Petit tentou dar um linguado de dentes ao árbitro, ele representava-me, a mim e a todos os benfiquistas que não estão armados em politicamente correctos.
Só tenho pena que não lhe tivesse dado um selo na boca.
Para levar três jogos, no mínimo que lhe tivesse dado uma cabeçada.
Este campeonato vai ser lindo, meus amigos...
Explicações para uma derrota
Mais uma vez, morremos na praia. Mais uma vez às mãos da França, mais uma vez derrotados por um penalti manhoso. Real, mas manhoso.
Em primeiro lugar, há que começar por dizer que os franceses não mereceram ganhar. Os motivos? São um povo afectado, frouxo e apaneleirado. Deviam ser campeões mundias de cricket, ou de curling, mas nunca de futebol, que é coisa de homens de barba rija.
Levámos na anilha, e não consigo dizer que não foi justo. Em grande medida foi.
Entrámos bem no jogo, estávamos até por cima da França, até que um acaso normal de um jogo de futebol, aquele penalty, nos deixou em clara desvantagem. Queremos encontrar lógica, justiça ou injustiça, mas o futebol é um jogo em que um acontecimento, uma bola ao lado ou uma falta estúpida podem influenciar tudo o resto, e foi isso que aconteceu.
Nós tivemos o azar/azelhice e os franceses tiveram a sorte/mérito de se dar aquele penalty. Tal como na célebre mão do Abel Xavier, é uma situação esquisita. Podemos sempre dizer que “se fosse ao contrário o gajo não marcava”, mas de facto ambos foram penaltis. É duro, mas é a vida.
O penalty deu aos franciús a vantagem que até aí não tinham tido, de poder ser a França a controlar o ritmo do jogo, e isso eles fazem como ninguém.
Podia ter sido diferente, mas desta vez (mais uma vez) foi assim. E eles estiveram irrepreensíveis. Dou-lhes os meus parabéns, desde que nunca mais tenha que ver na televisão a claque feminina da França (Blherk!).
Algumas notas soltas:
1- A táctica
A França é, tão só, a melhor equipa do mundo em termos tácticos. O posicionamento, a ocupação dos espaços, as compensações, tudo o que uma boa equipa faz, a França faz melhor. Portugal entrou taco a taco, mas assim que a França marcou, Portugal levou um banho táctico até final.
2- Cristiano Ronaldo
Muito talento, mas ainda em bruto. Quando aquelas hormonas acalmarem (trata disso, ó Merche!), e aquela energia for canalizada para um jogo não apenas mais colectivo mas sobretudo mais útil, poderá vir a ser o melhor jogador do mundo. Deu à equipa a sede de vitória de que ela precisava.
3 – O árbitro
Um uruguaio qualquer. Bem nos penaltis, esteve sempre mais do lado deles do que do nosso, em inúmeros lances divididos e em alguns cartões. Deixou-se claramente influenciar pelo jogo psicológico dos franciús durante a semana, e a gente até deu alguma razão para isso, em alguns mergulhos para a piscina.
4 – Deco
Esteve em campo? Alguém o viu? Deco é o jogador que faz mexer toda a equipa, e o falhanço dele sente-se mais do que o falhanço de qualquer um dos colegas. Bem sei que aquele meio campo dos franceses é lixado, mas do “Mágico”, como dizem os tripeiros, seria de esperar muito, mas muito mais.
5 – Pauleta
Esteve em campo? Alguém o viu (já agora, isto aplica-se também ao Ministro Costinha, que já nem chega a secretário de Estado).
A França não é o Azerbeijão, e Pauleta mais uma vez mostrou que não tem fibra para os grandes jogos. Em cinco jogos tem 1 golo e meia assistência. Para uma selecção que quer ganhar alguma coisa, um ponta de lança destes é muito pouco. Devia ter vergonha de ter roubado o recorde ao Deusébio.
6 – Os franciús
Depois de tanta conversa sobre o jogo sujo dos portugueses, os brioches também não foram nenhum dream team. Demoras na reposição, fitas, pressão sobre os árbitros, retranca, foi o que se viu. E aquele treinador dos gajos, com cara de impotente foleiro como só os franceses podem ter (vocês sabem, aquele gajo que parece saído da BD do Salomão e Mortadela, ou lá o que é), devia ser enrabado com uma baguete de ferro. Em brasa.
7 – Figo
Um grande, grande capitão.
8 – Zidane
Classe pura. Vai deixar saudades.
9 – Miguel, Maniche e Ricardo Carvalho
Os melhores da selecção durante todo o torneio.
10 – Simão
Continua armado em menino e perdeu a oportunidade de se mostrar a sério. Vai deixar o Glorioso mas deixa-nos uma pipa de massa. Podia ser pior.
11 – Ricardo
Grande influência para um tipo com uma voz tão fininha. Mais uma vez decisivo.
12 – Scolari
Enorme mérito na excelente campanha que Portugal fez. Fez opções estúpidas na convocatória, no banco igualmente (alguém me explica por que carga de água o Nuno Gomes não joga?!), não soube mexer na equipa neste jogo e levou um banho táctico, mas fez-nos acreditar até ao fim. Neste último jogo, no sítio onde eu estava a assistir, cada ataque de Portugal era vivido com intensidade, com a esperança de que Portugal, por mais um passe de mágica, conseguisse chegar ao golo. Nunca vi uma coisa assim antes. E isto é mérito de Scolari, que nos fez saber o que é acreditar, ao contrário do nosso tão natural pessimismo e desencanto. Deve continuar e saber fazer a renovação da equipa.
Foi giro. Chegámos onde podíamos, porque claramente não somos a melhor selecção do mundo. Mas estamos entre as quatro, e isso tem, para um pequeno país como o nosso, grande valor. Estejamos orgulhosos dos nossos rapazes.
Viva Portugal.
A Arte da Guerra
A vitória portuguesa na “Batalha de Nuremberga”, como os jornais portugueses tão sabiamente lhe chamaram (títulos é com eles), encheu a alma deste país, e também a minha.
Entre nós instituiu-se, durante e depois do jogo, a corrente de pensamento segundo a qual os portugueses foram uns meninos magoados pelos mauzões dos holandeses. Bom. Uma coisa é certa. Os laranjas entraram para partir e, pior que isso, para intimidar. No fundo, para mandar sem serem melhores, apenas porque eram mais arrogantes. Entraram para partir, porque só assim se sentende que tenham metido um trolha central (o marroquino feioso) a defesa direito, deixando o titular no banco. Era o tipo do trabalhinho sujo, nada mais nada menos que partir as pernas ao Ronaldo. Entraram para intimidar, numa fuga para a frente de quem tinha bem viva na memória as últimas derrotas contra os pobretanas dos tugas, esse povo bárbaro do sul da europa que enfarda sardinhas e dorme nas ruas de Amesterdão, com os cães e os tambores. A intimidação estava em cada lance, em cada empurrão gratuito quando o jogo estava parado. Em cada ar de desprezo perante os nossos jogadores. Mas, se eles entraram assim, rapidamente nós fomos atrás. E bem. Repito, e bem.
Este foi um daqueles jogos ganhos no braço, na garra, na alma, como dizem os brasileiros, foi ganho na marra. E deu mais gozo por ser assim. Foi um daqueles jogos em que, se fôssemos meninos, tínhamos perdido de certeza, porque os holandeses nos perderiam o respeito. A entrada sobre o Ronaldo foi uma declaração de intenções. Era a guerra, e os nossos rapazes foram uns bravos guerreiros. Se eles começaram, nós não ficámos atrás. Não vale a pena armarmo-nos em anjinhos. Fodemos os gajos na porrada mas, sobretudo, na ratice. A entrada assassina foi maldosa e demonstrou falta de fair-play? Sim. Mas também a fita do Figo na expulsão do marroquino, também a fita do Van Bommel (precisava de fazer um estágio com o Liedson para ao menos aprender a atirar-se para o chão), também a demora na reposição por parte do Ricardo e do Deco, também, e sobretudo, o ataque à traição dos laranjas quando deviam dar-nos a bola. Quando o Deco viu aquilo e saiu disparado para lhe dar uma trancada, aplaudi tanto como no golo. No futebol, aquilo não se faz. Até na guerra há uma espécie de código de honra, e os holandeses, por quem sempre tive uma grande simpatia, mostraram não ter honra nenhuma. Qualquer jogador daria aquela porrada, e eu aplaudiria.
Tudo isto para dizer que, naquele jogo, não houve bons e maus. Houve uns meninos (os laranjas) que se armaram em homens, e depois houve homens (os portugueses), que se recusaram a amochar humildemente e aceitar, mais que a pancada, o desaforo, e lhes deram uma lição de coragem, de determinação e, muito importante, de “ratice” (aquela falta cavada pelo Petit foi absolutamente genial e merecia estar no DVD dos melhores momentos do Gil Vicente). Foi uma guerra e, como costuma acontecer, ninguém saiu limpo. Mas, numa guerra, o importante é sair vivo, e de pé. E isso nós fizemos, com toda a justiça de um povo que aprendeu cedo demais a comer e calar.
Notas finais:
Costinha: Xôr Ministro, vá comprar urgentemente um cérebro.
Ricardo: Os arrepios do costume, a apetência e a alma do costume nos momentos decisivos, pela selecção.
Scolari: Fantástico a unir a equipa e a transmitir-lhe uma garra que nunca vi em qualquer selecção portuguesa. Acertadíssimo nas substituições.
Deco: Esqueceu-se que já não joga no Porto, e infelizmente fica de fora no próximo jogo.
Ricardo Carvalho: Em bom futebolês, o “esteio da defesa”.
Petit: A experiência e a pós-graduação em “ratice”.
Miguel: Um pulmão e uma alma que nunca mais acaba. Tás perdoado, Chelas.
Bifes: Venham com a cagança do costume, que é assim que a gente gosta.
O holandês voador
E pronto, o Koeman (o homem cu, em português), vai-se embora.
Bom proveito.
Já o disse aqui neste blog, o que me incomoda nem sequer é a terceira posição no campeonato, mas sim o fraquíssimo nível de futebol demonstrado pela equipa, com provavelmente dos melhores plantéis que tivemos na última década.
Para além do miserável campeonato, não digeri bem a forma como saímos da Liga dos Campeões. É óbvio que a gente ia ser eliminado, mas não era preciso jogarmos com tão pouca ambição. Koeman queria perder por poucos, para não estragar a sua reputação em Barcelona, e meteu o Benfica a jogar como a Naval. Podia ter dado, mas não é de homem. E, com toda a certeza, não é à Benfica.
Koeman não soube motivar, não soube contratar, não soube escolher. Neste capítulo destaco a obsessão com Moretto, Beto e Robert, e o esquecimento dado a jogadores como Quim, Mantorras, Karagounis, Manuel Fernandes (na primeira metade da época), e vários outros.
Koeman veio valorizar-se e, aparentemente, conseguiu-o. Não me convenceu enquanto treinador, em qualquer dos aspectos relevantes. Que vá em paz, e só é pena não levar com ele Veiga & Vieira.
Aqui fica uma lista dos gajos que nunca deverão, em qualquer circunstância, ser contratados para o Benfica:
1- Manuel Cajuda
2- Jesualdo Ferreira
3- Manuel José
4- Vítor Pontes.
Se é para ser um cancro, ao menos chamem o Toni, que sempre é um cancro dos nossos.
Finalmente!
Acabou esta merda deste campeonato. Enquanto adepto benfiquista, devo confessar que a última parte da época foi mais aborrecida que penosa.
Na última jornada, o Porto B foi empatar ao Bessa, procurando dar uma ajudinha ao velho amigo, mas nem assim as panteras chegaram à Uefa. Não faz mal, com o Papa ao lado, o futuro será risonho.
Os lagartos cumpriram a missão, ganhando sem dificuldades ao Braga do professor Jesualdo, que foi corrido sem que perceba bem porquê. Do Sporting só vi o resumo, mas parece-me evidente a justiça da conquista do segundo lugar. Uma equipa jovem, muito portuguesa e com muita prata da casa, um bom exemplo.
O meu Benfica lá fez mais uma das suas tropelias. E era mais do que esperado. O plantel (e o próprio treinador) entrou de férias com a saída da Champions. Entrou em imediata descompressão, porque tem muita gente sem personalidade para jogar no Benfica e é treinado por um tipo que sempre esteve mais preocupado com a sua imagem do que com o clube.
Em Paços de Ferreira foi lindo: o Benfica com quatro defesas (3 deles centrais), 3 trincos e, depois, o Karyaka (que não jogava há 6 meses), o Manduca (que não ganha uma bola na raça, parece uma Amélia) e o fantástico Piccoli, que merecia uma medalha por jogar ao lado de muito cepo que por lá anda. O Paços, a precisar de ganhar, necessitou apenas de ser um pouco mais aguerrido, arrancando uma vitória justíssima. O Shôr Moretto lá deu mais uma casa gigante, mas foi apenas a face mais visível de uma equipa sem chama, sem alma, sem nada.
Desta jornada lá se salvou a prometida despromoção do Guimarães, que me deu alguma alegria. Talvez na segunda divisão aquela cambada de grunhos e hooligans aprenda alguma humildade. Vítor Pontes conseguiu descer de divisão uma equipa com um óptimo plantel, mas um tipo que aguenta aquele penteado tem de ser, de facto, muito bom.
Pena foi o Belenenses. Mas também, um clube que contrata o Couceiro estava à espera de quê? Pior só se fosse o Luis Campos.
Bom, parabéns ao Porto, um justíssimo campeão, ao Sporting que mereceu o segundo lugar, e ao Braga, que conseguiu mais uma vez o apuramento europeu. Quanto ao Nacional, a equipa que joga numa prisão de alta segurança, quero é que vão com os porcos na primeira eliminatória da Uefa e o seu treinador seja empalado por um rinoceronte entesado.
E que o meu Benfica varra a tralha que por lá anda, aprenda com os que sabem fazer, e que fique não só mais forte, mas também mais digno.
Até à próxima.
Penúltima ronda
O campeonato superliguesco arrasta-se penosamente até final, quando até a festa do novo campeão perdeu o gás.
Aliás, vamos começar por aqui, pelo caumpeoum.
Depois de, na jornada anterior, ter derrotado uma equipa da segunda divisão com um penalti inventado, derrotou outra equipa quasi-despromovida (ehehehehe, uma rara alegria) com a ajuda do senhor de preto (ou amarelo, que isto agora anda diferente).
O Porto venceu 3-1, mas cada equipa marcou dois golos limpos, e só. Confusos? Não vale a pena. Se calhar a noite de putas do Shôr Árbitro foi pesada, e a ressaca não perdoa, até nos deixa a visão turva.
Com o Sporting, regressou a comédia. Um jovem brasileiro (paranaense? Sitiodopicapauamarelense?) de seu nome Danielson não só dá uma abébia genial no segundo golo lagarto como, na segunda parte, arruma a questão de vez com um autogolo fabuloso, com uma oportuna cabeçada ao segundo poste. Fantástico.
Ainda assim, mesmo perante este carnavalesco panorama, Danielson não conseguiu ganhar o Prémio Comédia, brilhantemente arrebatado pelo nosso estimado Ricardo, pelo seu papel em “Ricardo Mãos de Merda”, com mais um frango daqueles que, admitamos, só um tipo do Montijo com uma voz de paneleiro seria capaz de dar.
O Ricardo é assim. Quando a gente já desistiu de o ver voltar ao seu melhor, aí está ele de novo melhor que nunca. Assim como o Bergman, no Saraband, mas um pouco mais divertido.
O meu Benfica lá vai, arrastando diletantemente a sua pouca classe pelos campos deste país. Desta feita, perante 50 mil adeptos, conseguiu esmagar o perigosíssimo Vitória de Setúbal por um expressivo 1-0.
Pior que a evidente falta de interesse dos jogadores do Glorioso em jogar à bola foram as declarações do senhor Koeman no final do jogo. O bébé gigante veio mandar bocas ao Danielson (sim, esse verdadeiro artista), queixando-se das facilidades concedidas ao Sporting. Eu até concordo, mas Koeman devia era estar bem caladinho e olhar para o que não conseguiu fazer com a sua própria equipa. Danielson rispostou com uma bela boca: “Não o vi dizer nada da sua defesa quando o Liedson fez o que quis dela”. Na mouche, digna de um verdadeiro lagarto.
Fala-se muito agora de que o Koeman se vai embora. Eu não morro de amores pelo senhor, mas até acho que devia continuar, para com mais estabilidade mostrar o que vale. Os jornais dizem que o terceiro lugar no campeonato poderá empurrá-lo para fora. Bom. Em primeiro lugar, essa questão não se põe. É um bocado a mesma merda ficar em segundo ou terceiro (nós vamos ficar em terceiro mas somos cabeça de série na pré-eliminatória, pelo que não deverá ser muito difícil). Por outro lado, enquanto adepto, não é o terceiro lugar que me faz desejar vê-lo longe. É mais o nível fraquinho do nosso jogo, as opções mais que discutíveis (porquê Robert, por que não Mantorras, etc) e o seu risinho parvo em geral, isso é que me levaria a aceitar bem a sua partida.
O ano passado fomos campeões e todos suspirámos de alívio quando o velhadas do Trapalhoni se pôs a andar.
Koeman, se queres bazar, baza. Deixa é de te armar em esperto e, já agora, leva o Vieira, o Veiga e o Robert contigo. Ah, e o Beto, ele pode levar-vos as malinhas.
Saudações benfiquistas.
O bom samaritano
Soube hoje pelo jornal que Jorge Pinto da Costa (sim, quem é este gajo para ser chamado pelo nome completo?) já não vai ser acusado de corrupção no âmbito do caso Apito Dourado. É o desfecho esperado neste país de brandos costumes e compadrios vários.
Curiosamente, o Ministério Público até confirma que o senhor Jorge Pinto da Costa pagou uma noitada de putaria ao senhor Jacinto Paixão, que por acaso até é árbitro. Não é de espantar, já que também pagou, aqui há anitos (lembram-se do penta e dos outros antes?), uma viagenzita ao Brasil a um senhor chamado Carlos Calheiros, que por acaso também era juiz da bola, e nada aconteceu.
O Papa é, no fundo, apenas um bom samaritano.A seguir teremos o quê? O Porto a bancar um curso de mergulho ao António Costa ou uma chaimite ao Pedro Henriques?...
Habemos campeone tripeirus
E pronto, o inevitável aconteceu. Com o melhor plantel do futebol português em mais de uma década, o Porto lá chegou ao campeonato, após ter vencido uma equipa da segunda divisão com um penalti inventado.
O facto mais significativo desse jogo foi, no entanto, bem mais marcante que a conquista de um caneco: foi o regresso do Cornetas.
Afinal, aquilo de que qualquer português bom chefe de família estava convencido (e feliz), que o Cornetas já teria morrido de falta de ar ou tivesse passado os últimos anos a sofrer atrozmente de flatulência bucal, numa qualquer cave cheia de mijo na Invicta, tudo isso era mentira, não passava de wishful thinking, meus amigos.
Perante a perspectiva de vencer o campeonato já este fim de semana, em casa do Porto B, o Cornetas voltou ao activo, azucrinando o juízo a todos os telespectadores deste país com a sua chinfrineira de touradas e zarzuelas. Ao ouvir aquele inconfundível som que me lembra do Portugal profundo, de imediato fui transportado para os terríveis anos 90, em que o Porto papava tudo, comandado pelo oliveiresco bigode ou pelo pescoço do Engenheiro Santos, e o meu Benfica se arrastava pelo meio da tabela ao sabor de Nelos, Paredões, Kings e Paulos Pereiras.
Saltei do sofá e, já me sentindo melhor depois de vomitar, ainda fui a tempo de ver os festejos da vitória do Porto. A 3 minutos do fim, uns quantos marmanjos, membros da elite dominante do FCP, entraram no bem guardado campo e entretiveram-se a gamar tudo quanto os jogadores do seu clube tinham no corpo. Esperto foi o Quaresma, que já sabia de tudo e pediu para não ser convocado, senão lá se iam os brinquinhos de ouro e os telemóveis de sabão.
No fim da partida, milhares de pessoas saíram à rua numa aldeia a norte do Douro, festejando a conquista, justa, de mais um título para o seu clube. Nessa linda manifestação de clubismo, esteve reunido o maior grupo de sempre (é verdade, entrou para o Guiness) de chungas, feiosos e bimbos, tendo sido registada a maior densidade alguma vez vista de grunhos de boné (apesar de ser de noite) e de argolinha marota na orélia.
Até em Lisboa, berço do rival Benfica e do insignificante Sporting, o Marquês do Pombal foi invadido por uma multidão de foliões, mais concretamente três, dois jornalistas e uma velhota que procurava uma farmácia de serviço e se perdeu.
Depois do apito final, o Cornetas desapareceu.
Dumb and dumber
Como tem sido habitual, Sporting e Benfica lá andam entretidos a dar tiros no pé. O Glorioso deu metado do jogo ao Nacional, mas de facto os rapazes têm mais em que pensar, nos contratos, nos ordenados, nas férias, no Mundial, no raio que os parta. De um momento para o outro, no plantel do Glorioso só há Roberts, ou seja, gajos que não só não sabem jogar á bola como agem como se se estivessem realmente cagando para jogar à bola. Todos? Não.
Safa-se o Miccoli, o Leo, o Mantorras e talvez o Manel Fernandes. O resto tá a pensar no bronze das férias.
No Sporting, tivemos mais uma sessão de tiro ao boneco e o jogo de despedida do capitão Sá Pinto. Expulso mais uma vez, acaba a carreira na bancada, e é muito bem feito. Conflituoso, chato pa caraças, provocador, e ainda por cima nunca foi metade do jogador que, no início, chegou a prometer. A braçadeira de capitão não dá imunidade para tudo, e Sá Pinto não a soube honrar. Enquanto benfiquista, preferia mil vezes ter como capitão da minha equipa um tipo como o Sá Pinto do que ter o Simãozinho, que só joga à bola e pouco mais, mas isso não faz do leão um capitão a sério.
Apesar de tudo, um tipo que deu nos cornos ao Artur Jorge não pode ser má pessoa, e acho que todos os benfiquistas lhe devem ao menos uma certa simpatia.
Faltam duas jornadas e, pelo andar da carruagem, nenhum dos dois clubes fará pontos até final. É por essas e por outras que o Porto é campeão.