Iniciação a uma vida banal
Escrevo na ressaca do “heróico” empate arrancado pelo Benfica na Dinamarca. Ressaca talvez não seja a palavra mais indicada. Ressaca sugere festa, excesso, atrevimento anterior, e o jogo desta noite foi tudo menos isso.
Custa-me escrever isto mas o Benfica é, actualmente, uma equipa banal. Banalíssima. Um Belenenses a nível europeu. Uma amiba.
Não jogámos a ponta de um corno. Os loirinhos tentaram mas não sabiam mais, mostraram bem que não sabem jogar à bola. O Benfas nem tentou. O nosso único momento de brilhantismo foi protagonizado por um jogador com nome de aspirante a mecânico, um tal de Paulo Jorge, Pájó para os amigos.
É triste, meus amigos.
O Glorioso acabou o jogo a passar para o lado, a assobiar para o lado, a andar de lado. A fingir que não estava num campo de futebol, mas numa divagação filosófica sobre o nada e o seu significado. À imagem do seu treinador.
Fernando Santos, o engenheiro, disse que essa postura da equipa, de jogar para o lado e para o empate, tinha sido um erro.
Mas foi este engenhocas, que tem a mesma capacidade motivacional de um caracol, que defendeu, antes da partida, que “um empate não seria um mau resultado”.
Xôr engenheiro, faça-me o grande favor de ir à merda. O Benfica é o maior clube português, foi duas vezes campeão europeu, esteve presente em sete finais. O Copenhaga é uma equipa de curling. Um empate não é mau, é terrível. Mais terrível só a falta de confiança e ambição deste engenheiro sem obra.
Sei que o Glorioso não é uma grande equipa. Sei que é de longe o mais fraco dos três grandes, neste momento. Mas também sei que o Benfica não se pode esconder, não pode fugir, não pode armar-se em tímido.
Podemos cair, mas já agora que o façamos como homens. Não como burocratazinhos que só sabem ajeitar a gravata.
Não transforme o Benfica no seu Estoril, xôr engenheiro.
Dedique-se a fazer pontes e estradas, porque de futebol vosselência não entende nada.
Boavista 3 - Glorioso nicles
Ah pois é.
Há jogos em que levamos na pá, e depois há jogos, como este, em que levamos mesmo no cu.
Falta de fio de jogo, falta de garra, falta de crença, falta de humildade, falta de qualidade.
E um treinador que não lembra ao menino Jesus (e ele lembra-se de coisas que mais ninguém se lembra).
Não vou falar aqui da falta de qualidade, sobretudo de capacidade de motivar jogadores, do nosso treinador. Isso já ficou mais que demonstrado, e não vos quero fazer perder tempo.
Perdemos porque, até ao 1-0, fomos muitíssimo piores do que o adversário, e porque depois da primeira expulsão o jogo acabou.
E é disto, do que se passou a partir desse momento, que quero falar.
E, meus amigos, fomos roubados.
Atenção, faço já o disclaimer, perdemos e perdemos bem.
Mas fomos roubados indecentemente.
1- Jogar contra o Boavista e sermos nós a termos 3 jogadores na rua seria para rir, mas não tem piada nenhuma.
2- O segundo amarelo ao Nuno Gomes é absurdo. Caso o quisesse expulsar, teria de ter feito o mesmo ao Ricardo Silva, numa falta minutos antes sobre o próprio Nuno Gomes. Mas parece que o nível de exigência só funciona para um lado.
3- A expulsão do Manu é inacreditável. Simplesmente porque é um vermelho numa situação em que o jogador nem toca no adversário, apesar de este ter dado um triplo mortal encarpado de fazer inveja ao Liedson. Já ouvi muita gente defender que, mesmo assim, ele mereceu a expulsão, por causa da entrada. Isto, obviamente, não faz qualquer sentido. E, já agora, um amarelozito ao actor que se atirou para o chão como se tivesse levado um tiro também não ficava nada mal.
4- A expulsão do Petit é justa, pela sua atitude, mas surge apenas pelo erro mais que grosseiro cometido na expulsão do Manu.
Em suma, 3 jogadores na rua, os 3 por erros do árbitro. Coincidência? Acredite quem quiser.
O que eu sei é que não era preciso isso para fazer o Benfica perder o jogo. O Fernando Santos estava a encarregar-se bem dessa tarefa.
Na decisão sobre os castigos a aplicar, Petit foi o mau da fita. As justificações para os castigos (2 jogos ao Nuno Gomes?! 3 jogos ao Petit?! Mas ele matou alguém?! Mas ele deu alguma cabeçada a alguém, como um senhor chamado Bruno Alvez que, no ano passado, levou o mesmo castigo?!) são fabulosas. Pode ler-se que estas regras se aplicam a “jogadores que utilizem expressões ou façam gestos ameaçadores ou reveladores de indignidade contra a equipa de arbitragem" e devem-se a “injúrias e ofensa à reputação contra equipa de arbitragem”.
Indignidade? Reputação?
De quem, daquele palhaço que demonstrou ser uma de duas coisas, ou corrupto ou incrivelmente incompetente?! Esse cabrão é digno? Merece alguma reputação favorável?!
E, já agora, quanto à expulsão do Petit, que agora parece ser a nova encarnação do Anti-Cristo. Não culpo o jogador. Um gajo que vê o seu capitão de equipa e outro colega serem expulsos injustamente, num jogo em que o Boavista deu o seu costumeiro nível de porrada, não pode ficar indiferente.
Gosto do Petit por causa disso. Pode lixar-se e acabar por lixar a equipa, mas não consegue calar o sentimento de injustiça que aquele roubo lhe provocou. Quando Petit tentou dar um linguado de dentes ao árbitro, ele representava-me, a mim e a todos os benfiquistas que não estão armados em politicamente correctos.
Só tenho pena que não lhe tivesse dado um selo na boca.
Para levar três jogos, no mínimo que lhe tivesse dado uma cabeçada.
Este campeonato vai ser lindo, meus amigos...